Iniciativa reuniu participantes presencialmente e on-line para dialogar sobre juventudes amazônicas e indígenas, promovendo escuta, reflexão e protagonismo juvenil
Por Luiz Santos, candidato ao noviciado da Companhia de Jesus
Nos dias 27 de março e 17 de abril de 2026, o Centro MAGIS Amazônia, em Manaus/AM, realizou duas Rodas de Conversa do Projeto Tecendo Saberes, reunindo participantes de forma presencial e on-line para refletir sobre as realidades das juventudes amazônicas. O primeiro encontro contou com 12 participantes presenciais e 12 on-line, enquanto o segundo reuniu 16 pessoas presencialmente e 26 participantes virtuais. A iniciativa, realizada em parceria com o Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES) e a Fundação Fé e Alegria, teve como objetivo fomentar espaços de escuta e diálogo, contribuindo para a formação de novas lideranças juvenis.
A primeira roda de conversa abordou o tema das juventudes amazônicas, destacando seus desafios, sonhos e esperanças. A mediação foi conduzida por Beatriz Silva, colaboradora da Fundação Fé e Alegria e voluntária do Centro MAGIS Amazônia, e contou com a participação de Raylson Araújo, membro da Comissão Episcopal Juvenil da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e Andreza Weil, professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e integrante da Comissão de Ecologia Integral da Arquidiocese de Manaus. Durante o encontro, foram discutidas as diversidades culturais, os saberes tradicionais e os desafios enfrentados pelas juventudes, como as distâncias geográficas, as desigualdades sociais e os impactos socioambientais.
Já a segunda roda de conversa teve como foco a juventude indígena no Brasil, ressaltando a importância da visibilidade, da valorização cultural e da defesa dos territórios. O encontro iniciou com um momento místico conduzido por Elizete Ticuna, seguido da mediação de Mercy Soares -Educadora social do SARES. Os convidados Felipe Gabriel, do povo Mura, e Danielle Gonzaga, do povo Munduruku, partilharam suas experiências e refletiram sobre os desafios enfrentados pelas juventudes indígenas, tanto no contexto acadêmico quanto político. Ao final de ambos os encontros, os participantes puderam interagir com os convidados, aprofundando questões relacionadas às vivências e às lutas dessas juventudes.
“Ir a essa Roda de Conversa me trouxe várias reflexões sobre a realidade das juventudes, especialmente no que diz respeito ao trabalho e à falta de conhecimento sobre a juventude indígena”, destacou Rui Canaquia Neto. Para Tânia Aikanã, “foi um momento significativo de aprendizado, escuta e fortalecimento do compromisso com as causas indígenas, assim como refletir sobre o papel da juventude indígena na defesa dos territórios e dos direitos coletivos”. Já Denise Sateré Mawé ressaltou que “não era só informação, era vivência sendo compartilhada. Quando falamos que o futuro não está à venda, falamos desde lugares de luta e resistência, que são nossos territórios”, enquanto Tânia Campos afirmou que o encontro “provocou reflexão e tirou muita gente da zona de conforto, além disso enfatizou o posicionamento dos povos originários, enfatizando que o futuro dos povos indígenas não está em negociação”.
As rodas de conversa reforçam a importância de criar espaços de escuta e protagonismo juvenil, valorizando as diferentes realidades da Amazônia e fortalecendo o compromisso com a justiça socioambiental. A iniciativa evidencia que, ao dialogar e partilhar experiências, é possível construir caminhos de esperança e transformação junto e com às juventudes.
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