Centro MAGIS Amazônia colabora com reflexão sobre juventudes no encontro formativo da AJS Amazônia

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Formação reuniu jovens e adultos de diferentes territórios para refletir sobre diversidade, escuta e protagonismo das juventudes amazônicas

Beatriz de Sá via Centro MAGIS Amazônia

O Centro MAGIS Amazônia participou, no sábado (4), do Encontro Formativo da Articulação da Juventude Salesiana (AJS) Amazônia. A atividade aconteceu no Santuário São José, em Manaus/AM, reuniu 31 pessoas, entre jovens e adultos.

Os participantes vieram de Manaus e de diferentes municípios do interior do Amazonas. Eles representaram grupos e obras salesianas da região, aproximando experiências vividas em diversos territórios amazônicos.

A formação sobre juventudes amazônicas buscou aprofundar o olhar pastoral das lideranças a partir do documento Documento 85 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB): Evangelização da Juventude: Desafios e Perspectivas Pastorais, e da Exortação Apostólica Christus Vivit, do Papa Francisco.

O Centro MAGIS Amazônia esteve representado pelo pastoralista Giovani Sampaio e pelos colaboradores voluntários Beatriz de Sá e Clisthian Cauã, integrantes do eixo Formação do CMA.

A assessoria foi conduzida por Giovani Sampaio, que iniciou a conversa com a pergunta: “Quando falamos em juventude, de quem estamos falando?”.

A provocação abriu espaço para a apresentação do conceito de juventudes, no plural. A proposta reconhece que não existe uma única maneira de ser jovem, pois as experiências juvenis são atravessadas por diferentes culturas, identidades, condições sociais e territórios.

A reflexão ganhou um sentido próprio ao tratar da realidade amazônica. O grupo conversou sobre os sonhos, desafios e esperanças dos jovens que vivem na capital, no interior e nas comunidades tradicionais.

Na dinâmica de apresentação, cada participante escolheu um objeto que representasse sua caminhada de fé e explicou ao grupo o motivo da escolha. O exercício favoreceu a partilha das histórias pessoais e a escuta das experiências que cada pessoa trouxe para o encontro.

Os participantes também identificaram dificuldades enfrentadas pelas juventudes em seus territórios. Entre elas, apareceram a violência, o racismo, os desafios relacionados à saúde mental, as desigualdades sociais, os impactos das mudanças climáticas, a exclusão e a marginalização juvenil.

Dados do Atlas das Juventudes foram apresentados durante a formação, ajudando o grupo a ampliar a compreensão sobre as condições vividas pelos jovens brasileiros.

A diversidade dos povos amazônicos também esteve presente na reflexão. A conversa reforçou o respeito às identidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e de outras comunidades tradicionais.

O grupo refletiu que a evangelização das juventudes passa pelo reconhecimento dessas identidades e pela valorização das culturas, histórias e formas de vida presentes na Amazônia.

Na segunda parte da assessoria, os participantes conversaram sobre o que os jovens buscam hoje e sobre a maneira como a Igreja pode responder a essas buscas. Entre os pontos levantados, esteve a necessidade de preparar pessoas para a escuta, o acompanhamento e o cuidado com as juventudes.

A reflexão apontou para uma Igreja presente nos territórios, capaz de caminhar com os jovens e de reconhecer sua participação nas decisões, atividades e processos comunitários.

Coordenadora dos Coroinhas da Paróquia Dom Bosco Centro, Yasmin Andrade avaliou que a formação conseguiu aprofundar um assunto que, muitas vezes, é tratado de maneira geral.

“Para mim, a formação foi algo inovador, porque não temos, assim, esse foco na juventude. Há muitas palestras que falam vagamente sobre a juventude, mas não de uma forma tão profunda e que tenha esse cuidado e essa participação com os jovens, porque foi uma palestra para a gente, mas não só para a gente, mas para os outros aprenderem. Até inovarem nas suas Igrejas e darem mais atenção e ouvirem mais a juventude, mas não só a juventude das nossas Igrejas, mas todas as juventudes, que foi o principal dessa palestra”, partilhou Yasmin.

Cerimoniário da Paróquia Menino Jesus de Praga, Miguel Tiúba ressaltou a presença das diferentes realidades juvenis na formação, incluindo as experiências dos jovens do interior e das comunidades ribeirinhas.

“Bom, foi uma palestra muito interessante em relação à juventude, que trouxe não só uma visão para a juventude que está na cidade de Manaus, mas também para a juventude do interior, aqui dentro da nossa inspetoria. É uma realidade muito diferente. Existem várias pessoas de locais, comunidades ribeirinhas, que passam por uma realidade muito diferente. Essa palestra conseguiu abordar isso muito bem e as outras pessoas, como os LGBTs, indígenas, ribeirinhos, todas as realidades dentro da nossa juventude e como a gente consegue contribuir dentro da Igreja em relação à escuta, em relação à participação, em relação ao nosso protagonismo, que é algo que muitas vezes é jogado para escanteio. E aqui a gente conseguiu saber que, mesmo sem a gente estar ali em atividade, a gente é, sim, protagonista da nossa vida, da nossa vida dentro da Igreja”, afirmou Miguel.

O encontro foi encerrado com o compromisso de ampliar os espaços de formação e diálogo sobre as juventudes amazônicas. A intenção é fazer com que a experiência chegue também aos jovens que ainda não têm acesso a momentos formativos como esse.

A participação do Centro MAGIS Amazônia no encontro da AJS Amazônia reforça o trabalho de formação de lideranças e de acompanhamento das juventudes. A proposta passa pela escuta das diferentes realidades, pelo respeito aos territórios e pelo incentivo à participação juvenil na Igreja e na sociedade.

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