Articulado por Sares, Centro MAGIS Amazônia e organizações parceiras, Pré-FOSPA Manaus reuniu representantes de diferentes setores da sociedade amazônica para fortalecer a defesa dos territórios e construir propostas rumo ao XII Fórum Social Pan-Amazônico
Ascom via Preferência Apostólica Amazônia Jesuítas Brasil
“Uma só Amazônia, um só território.” Com esse lema, cerca de 70 representantes de movimentos sociais, povos indígenas, comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil, pastorais, universidades e instituições públicas participaram, no dia 18 de julho, do Pré-Fórum Social Pan-Amazônico (Pré-FOSPA Manaus), realizado na Faculdade Católica do Amazonas.
Articulado pelo Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares), pelo Centro MAGIS Amazônia e organizações parceiras comprometidas com a justiça socioambiental, o encontro constituiu um espaço de escuta, formação política, diálogo intercultural e construção coletiva de propostas que representarão o Amazonas no XII Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA), que será realizado em Puyo, na Amazônia equatoriana, entre os dias 16 e 21 de agosto de 2026.
Mais do que uma etapa preparatória, o Pré-FOSPA Manaus reafirmou a importância da articulação entre povos, movimentos, instituições e obras comprometidas com a defesa dos territórios amazônicos, da vida, das águas, das florestas e dos direitos dos povos da Pan-Amazônia.
FOSPA: uma articulação dos povos amazônicos
O Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA) nasceu em 2002, em Belém (PA), inspirado pelo processo do Fórum Social Mundial e pelo princípio de que “um outro mundo é possível”. Desde então, consolidou-se como um importante espaço de articulação dos povos amazônicos, reunindo organizações sociais, movimentos populares, povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e camponesas, pesquisadores, igrejas e instituições comprometidas com a defesa da Amazônia.
Mais do que um evento periódico, o FOSPA é um processo permanente de mobilização e incidência política, fortalecendo a integração entre os povos dos nove países que compartilham o bioma amazônico: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
Ao longo de mais de duas décadas, o Fórum percorreu diferentes territórios amazônicos, promovendo o intercâmbio de experiências, denunciando violações de direitos e construindo agendas comuns diante de desafios que ultrapassam fronteiras nacionais, como o avanço do extrativismo predatório, as mudanças climáticas, os conflitos territoriais, a violência contra defensores e defensoras da floresta e as ameaças à biodiversidade.
Neste ano, o XII FOSPA terá como eixo central a construção de um Plano de Ação Pan-Amazônico, resultado das contribuições dos Pré-FOSPAs realizados em diversos territórios amazônicos. A programação prevê assembleias temáticas, grupos de trabalho, atividades culturais, encontros de juventudes, espaços dos povos indígenas, o Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza e a aprovação coletiva do plano de ação que orientará a atuação da rede amazônica nos próximos anos.
Manaus contribui para a construção coletiva
Inserido nesse processo continental, o Pré-FOSPA Manaus reuniu dezenas de organizações comprometidas com a justiça socioambiental e o Bem Viver.
A programação iniciou com a contextualização do encontro, conduzida por Fabiana Caresto, da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, e pelo padre João Manco, do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (PIME), que apresentaram a trajetória do FOSPA e os desafios atuais da Amazônia.
Em seguida, os participantes foram conduzidos à área verde da Maromba para um momento de mística conduzido pelo grupo Lua Verde, do povo Kokama, e por representantes das organizações parceiras. A atividade reafirmou a compreensão de que a floresta constitui um único território, compartilhado por múltiplos povos e culturas.
Na sequência, dois painéis dialogados abordaram os principais desafios e perspectivas da região. O primeiro discutiu as ameaças aos territórios amazônicos, trazendo reflexões sobre o avanço do extrativismo, os conflitos socioambientais e a defesa dos direitos humanos, com exposições da pesquisadora Marcela Amazônia, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Comissão Arquidiocesana de Ecologia Integral, e da advogada Silvia Carla, do Centro de Direitos Humanos e da Natureza da Arquidiocese de Manaus.
O segundo painel voltou-se aos caminhos para o Bem Viver, debatendo justiça climática, proteção das águas, protagonismo das mulheres e das juventudes. Participaram o pesquisador Dr. Henrique Pereira, do INPA, e Juliana Marques, representante do Programa Defesa da Vida.
Outro momento marcante foi a Fila do Povo, espaço aberto para que lideranças, representantes de comunidades e participantes compartilhassem experiências, denúncias, desafios e propostas diretamente relacionadas à realidade amazônica.
Carta de Manaus será contribuição para o XII FOSPA
Após os painéis, os participantes organizaram-se em grupos temáticos para responder a quatro questões centrais: O que estamos defendendo? Quais são hoje as principais ameaças? Quais ações precisam ser fortalecidas? O que levaremos ao XII FOSPA?
As contribuições foram sistematizadas durante a plenária final e deram origem à Carta de Manaus para o XII Fórum Social Pan-Amazônico, documento que reúne denúncias, prioridades, compromissos e propostas construídas coletivamente e que servirá de contribuição da delegação amazonense ao processo pan-amazônico.
A Carta reafirma que a defesa da Amazônia passa necessariamente pela proteção dos territórios, pela garantia dos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais, pelo enfrentamento da crise climática, pela valorização das mulheres e juventudes, pela defesa das águas e pela construção de alternativas baseadas no Bem Viver e na Ecologia Integral.
Articulação que ultrapassa fronteiras
O Pré-FOSPA Manaus demonstrou que a Amazônia continua produzindo respostas coletivas diante das crises ambiental, climática e social.
Ao reunir diferentes organizações e movimentos, o encontro fortaleceu redes de cooperação, ampliou espaços de diálogo e reafirmou que a defesa da floresta depende da união entre povos, instituições e movimentos sociais.
A participação do Sares e do Centro MAGIS Amazônia na articulação do Pré-FOSPA Manaus reafirma o compromisso das obras da Companhia de Jesus com processos de formação, mobilização e incidência em defesa da justiça socioambiental, dos direitos dos povos amazônicos e da promoção da Ecologia Integral, em sintonia com a missão de cuidar da Casa Comum.
As propostas construídas em Manaus integrarão a sistematização dos diversos Pré-FOSPAs realizados em toda a Pan-Amazônia, contribuindo para os debates do XII Fórum Social Pan-Amazônico, em Puyo, onde representantes dos nove países amazônicos buscarão consolidar uma agenda comum em defesa da vida e da Casa Comum.
A realização do Pré-FOSPA Manaus contou com a participação e colaboração de diversas organizações sociais, pastorais, universidades e instituições parceiras comprometidas com a justiça socioambiental e a defesa da Amazônia.












