Com presença jesuíta, o evento realizado pelo coletivo Fórum das Águas denuncia a crise hídrica e clama por acesso universal à água, preparando o terreno para os debates da COP30 em Belém (PA)
Centro MAGIS Amazônia com Jesuítas Brasil
No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, centenas de pessoas participaram da 2ª Romaria das Águas, promovida pelo Fórum das Águas, em Manaus. Com o tema “Nossas vozes na COP30 em defesa da ÁGUA e da VIDA na Amazônia” e o lema “Luta por preservação e acesso para TODOS!”, o evento destacou a urgência da preservação dos recursos hídricos e o direito universal à água, especialmente para as populações mais vulneráveis. Estiveram presentes representando o Centro MAGIS Amazônia: Yzabelle Gonzaga, Phyllip Gonzaga, Alessy Padilha e P. Silas Silva, Sj.
A concentração aconteceu no Porto da Ceasa, reunindo organizações sociais, ativistas, comunidades ribeirinhas, indígenas e cidadãos comprometidos com a causa ambiental. Os participantes embarcaram em barcos e seguiram em romaria até o Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões se encontram. O ato simbólico sublinhou a luta contra a privatização dos serviços de abastecimento e a crise hídrica que afeta milhões de pessoas na Amazônia.
Presença jesuíta e compromisso com a justiça socioambiental

A Companhia de Jesus esteve presente no evento por meio de suas obras na região: o Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares), o Centro MAGIS Amazônia e o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR). A atuação das obras jesuítas reforça o compromisso da Igreja com a justiça socioambiental e a dignidade humana, especialmente em um contexto de ameaças crescentes aos territórios e modos de vida tradicionais.
O Fórum das Águas, coletivo responsável pela organização da romaria, tem se consolidado como um dos principais espaços de mobilização em defesa dos recursos hídricos da Amazônia. Seu coordenador, o jesuíta Pe. Sandoval Rocha, SJ, destaca a importância de levar as vozes da região para os debates da COP30, que acontecerá em novembro de 2025, em Belém (PA).
“Queremos que nossas vozes e reivindicações, que de fato trazem a realidade e a situação da Amazônia, cheguem até esses governantes, ministros e representantes de mais de 190 países. Nosso objetivo é influenciar as deliberações que serão tomadas durante o evento”, afirmou Pe. Sandoval.
Crise ambiental e direito à água

A romaria também alertou para a crescente crise ambiental, marcada por desastres climáticos, degradação dos ecossistemas e injustiça socioambiental. Apesar da imensa riqueza hídrica da Amazônia, milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à água potável e saneamento básico. Em Manaus, por exemplo, os serviços de abastecimento são privatizados desde o ano 2000, resultando em tarifas elevadas e atendimento precário, especialmente nas periferias. Pe. Sandoval Rocha, que também é doutor em Ciências Sociais, alerta que “a racionalidade econômica que caracteriza o mundo contemporâneo está levando a humanidade ao precipício, deixando a sociedade sem tempo de resposta”.
Além da romaria, o Fórum das Águas tem ampliado sua atuação em espaços de debate e incidência política. O grupo participou recentemente da 5ª Conferência Estadual do Meio Ambiente (CEMA) e do Converge Amazônia 2025, fortalecendo a luta por políticas públicas que garantam o acesso universal à água e a gestão sustentável dos recursos naturais.

























