Primeira etapa promoveu roda de conversa e oficina prática, envolvendo universidades, movimentos sociais e comunidades
Maria Suely Pereira Corrêa e Ir. Angela Maria Mabarzo – fmmdp, via Pastoral Universitária
A Pastoral Universitária da Diocese de Roraima tem promovido atividades que estimulam a reflexão crítica sobre temas que desafiam a sociedade e as comunidades, contribuindo para a construção de soluções viáveis. Em 2025, o Ciclo de Formação Intercultural tem como tema “Ecologia Integral”, com o objetivo de oferecer três momentos socioeducativos para debater a importância da ecologia integral, os impactos do desequilíbrio ambiental e formas de superação por meio do acolhimento, respeito e cuidado com a Casa Comum.
O primeiro encontro do ciclo foi realizado na sexta-feira (21), em parceria com o Centro de Ciências Humanas da UFRR, no auditório do Centro de Ciências Humanas (CCH) da Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista/RR. Participaram 37 pessoas, entre alunos e professores das universidades UFRR, IFRR, UCP e UNIP, integrantes de pastorais, movimentos sociais, Fundação Fé e Alegria e camponesas do Lavrado. A programação incluiu uma roda de conversa pela manhã e uma oficina sobre agroecologia, economia solidária e segurança alimentar no período da tarde.
A roda de conversa teve início com um momento de acolhida conduzido pelo assessor da Pastoral Universitária, Pe. David Romero. A mediação foi feita pela professora Márcia de Oliveira (UFRR), que introduziu o tema e apresentou os palestrantes. O Frei Atilio Battistuz (Diocese de Roraima) abriu as falas, relacionando a ecologia integral com a Campanha da Fraternidade 2025 e destacando a urgência do cuidado com a casa comum. “O tema da ecologia integral é o grande desafio do mundo de hoje. Quando se fala de ecologia integral, significa que todas as áreas da convivência humana têm a ver com ecologia. A partilha foi rica porque veio quem tinha interesse pelo tema.”
Na sequência, os professores Felipe Paes e Paulo Maroti (UFRR) compartilharam suas experiências na formação de professores do campo, abordando a ecologia integral como eixo estruturante. “Foi um momento muito construtivo para entendermos esse conceito de ecologia integral, que une o social, o ambiental e outros fatores. Tivemos a presença de alunos, professores, técnicos — foi muito interessante”, avaliou o professor Paulo Maroti.
A roda foi concluída com a participação ativa do público. Eliene de Oliveira, agrônoma com ênfase em agricultura familiar, comentou: “Escutei nas três falas esse novo olhar sobre ecologia com uma integralidade. Senti um chamado para formar redes e levar essa discussão adiante na família, nas escolas, em todos os nossos ambientes.”
No período da tarde, a oficina foi coordenada por Maria Suely Pereira Corrêa, da equipe de coordenação da Pastoral Universitária. O professor Paulo Maroti apresentou o Projeto Camponesas do Lavrado, desenvolvido com o acompanhamento da UFRR. Em seguida, representantes da Associação de Mulheres Camponesas do Lavrado relataram suas experiências, conquistas e desafios na prática agroecológica.
Elieze dos Santos, da Fundação Fé e Alegria, compartilhou sua impressão: “Foi maravilhoso ver mulheres corajosas que estão mudando a forma de produção de alimentos para uma maneira mais ecológica. Elas trazem a ecologia integral de forma prática para o nosso viver. Essa experiência me anima a acreditar que um mundo melhor é possível para nossas crianças.”
O ciclo de formação segue com novas atividades ao longo do ano, aprofundando a formação socioambiental e fortalecendo a espiritualidade ecológica.


